Cumulonimbo

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

ACOMPANHAMENTO AO MINUTO / Ciclone Tropical Alex / G.Central & Oriental / 14-15 jan '16

NOTA: Esta informação, elaborada e disponibilizada pelo IPMA, foi colocada neste blog, porque considerei muito interessante e útil no âmbito de uma salutar comunicação do estado do tempo aos açorianos.

Quanto à previsão do blog: a nível de precipitação, poderemos ter novamente condições para precipitação orográfica intensa no Nordeste, nomeadamente. Ao nível do vento, parece estar tudo muito incerto, dependendo do cavamento que a depressão adquirir. No entanto, há uma tendência para este cavamento acontecer mais cedo do que se previa, e para haver rajadas temporariamente na ordem dos 90 a 100 km/h em São Miguel e Santa Maria, e com alguma possibilidade, na zona leste/nordeste do grupo central.
Para já, vários modelos tendem a apontar valores acumulados de precipitação para os dias 14 e 15 que poderão ser superiores a 40/50 mm nas zonas baixas das ilhas mais afetadas, podendo alcançar, devido a efeito orográfico, especialmente em São Miguel, valores bastante mais elevados.
Quanto à ocorrência de trovoadas, não parece ser, para já, provável, não devendo ser excluída, porém, nos períodos de maior precipitação associados ao choque do ar saturado com as montanhas mais altas ou ao próprio cavamento da depressão.
Esperando novos desenvolvimentos.

ATUALIZAÇÃO 19H20 DE 13 JAN: Como se pode observar pela seguinte imagem do EUMETSAT, relativa à airmass, a convergência mais intensa associada à depressão ainda se situa a latitudes inferiores. O centro da depressão, que se aproxima dos Açores, tem 70% de probabilidade de se transformar num ciclone tropical nas próximas 48 horas ou 5 dias.

ATUALIZAÇÃO ÀS 03H30 DE 14 JAN : Neste momento (3 h UTC), o ciclone está com ventos médios de 60 mph, isto é, pouco mais de 52 nós. O que supera todos os modelos que coloquei do gráfico abaixo! Em km/h, para se ter melhor noção, agora são 95 km/h. Rajadas da ordem dos 70 mph = 113 km/h. Se aumentar o vento sustentado em 5 mph, como está previsto pelo NHC, e supondo que as rajadas também aumentam 5 mph, dá uma rajada média de cerca de 120 km/h na zona do ciclone mais ventosa. A isso, há que juntar o próprio desvio-padrão da rajada, a possibilidade de downbursts e a orografia (como afunilamentos locais)... Porém, é preferível dar o benefício da dúvida e esperar por novos desenvolvimentos, já que é um fenómeno muito localizado e o mar é muito extenso.

ATUALIZAÇÃO 08hOO: Às 8h AM dos Açores, foi feita uma nova atualização. O Alex estava já com ventos sustentados de 70 milhas por hora, ou seja, entre 110/115 km/h, e rajadas de 135/140 km/h, faltando apenas 4 milhas por hora para se tornar um furacão.
Nas próximas horas, deverá continuar a sua aproximação aos Açores, com a sua rota traçada para o grupo central.
Quanto à sua intensidade, poderá variar um pouco, havendo alguma tendência dos modelos para o colocar ligeiramente mais fraco nas próximas horas. No entanto, como todos, ou quase todos os modelos demonstraram falhar na evolução deste fenómeno, há que ter espírito crítico.
Nota para a orografia, que poderá, segundo o NHC, aumentar em 30% ou mais, a velocidade do vento.
Esperam-se novos comunicados do IPMA, de forma a oficializar as novas informações.

ATUALIZAÇÃO 14HOO: Alex torna-se um furacão de categoria 1, com ventos médios de 140 km/h e rajadas da ordem dos 170 km/h. Não se espera uma diminuição da sua intensidade até chegar aos Açores. 
Nota para uma diminuição das dúvidas quanto à sua rota: deverá passar por cima do Grupo Central, sendo mais provável que as ilhas de São Jorge, Terceira, Pico e Graciosa sejam as mais afetadas. Segundo o IPMA, poderão ser registadas rajadas até 170 km/h, potencialmente mais elevadas por efeito do relevo local. Atenção redobrada deve ser prestada a São Jorge nomeadamente, devido à sua orografia peculiar. 
No Grupo Oriental, o IPMA aponta para rajadas até 130 km/h que, com efeito orográfico local poderão ser superiores.
Quanto à ondulação, está prevista uma altura significativa de 6-8 metros no Grupo Oriental e de 8-12 metros no Grupo Central, podendo a altura máxima atingir os 12 metros. Isto, conjugado com um sentido de E rodando para SE, poderá atingir especialmente o Porto da Praia da Vitória, na ilha Terceira.

17h30: Sinais no estado do mar da aproximação do furacão Alex, de Lagoa, Açores. No primeiro video, ver do segundo 55 ao minuto 1.


ATUALIZAÇÃO 20H: Nota-se, agora, uma ligeira perda da consistência do "olho" do furacão, devido à perda de altura dos topos das nuvens situadas a SW, mas há ainda com ventos de 140 km/h e rajadas da ordem dos 170 km/h. 
É provável que, ao entrar em águas mais frias, inferiores a 20ºC, e com a exposição ao wind shear vindo de SW, perca alguma intensidade. Contudo, prevê-se que continue na categoria de furacão ainda na passagem pelos Açores.
Quanto à trajetória, apesar de os modelos serem consistentes entre si, poderá variar ainda algumas dezenas de quilómetros até ao momento da passagem. A previsão aponta para que passe entre São Jorge e Terceira, devendo a Terceira ser a ilha mais atingida deste grupo, pois o setor leste do furacão é o mais ativo.
De referir ainda que haverá uma tendência para perda das características tropicais daqui a 24 horas, após passar o arquipélago, com o aparecimento de uma frente quente. Irá, todavia, manter ventos sustentados com força de furacão. Mais tarde, este ciclone deverá juntar-se a uma depressão situada em latitudes superiores.

Autoria: satélite Aqua

ATUALIZAÇÃO - EDITADA ÀS 02H25: Sente-se já um aumento da intensidade do vento bastante significativo, desde por volta da meia noite, com rajadas, intercalando com zonas mais calmas.

Parece agora poder começar a desenhar-se uma potencial situação: o furacão Alex poderá diminuir um pouco de intensidade nas próximas horas no seu centro, podendo aumentar novamente de intensidade, em todo o seu sistema, horas antes de atingir os Açores. 


Apesar de o GFS ser um modelo em larga escala e estar sujeito a consideráveis erros em fenómenos tão localizados, o vento (em larga escala) associado ao furacão parece vir a intensificar-se até chegar aos Açores. Este vento é particularmente importante para São Miguel e Santa Maria, podendo ser da ordem dos 80 km/h no seu auge (12h), com rajadas até 130 km/h, podendo ser superiores consoante a orografia particular de cada local. Quanto às previsões do NHC, ventos com categoria de tempestade tropical serão muito prováveis nestas ilhas.


E, como se vê acima, enquanto o GFS prevê diminuição na pressão atmosférica (que pode estar associado a um eventual aumento da velocidade do vento do furacão), o WRF prevê a manutenção da pressão atmosférica. Nota que estes modelos, devido à sua escala, não conseguem prever com precisão esta variável. No que respeita à previsão do NHC, não há valores concretos referentes à mesma.

Segundo as duas imagens seguintes, o vento em larga escala aos 850 hpa (cerca de 1500 m) também irá intensificar-se.



Quanto aos ventos associados à força do furacão junto ao núcleo, e cuja previsão pertence ao NHC, poderão diminuir cerca de 10 a 20 km/h em relação à última observação, embora mantendo sempre a classificação de furacão. Estes ventos são particularmente importantes para São Jorge, Graciosa, Terceira e Lajes do Pico. Se esta situação se mantiver, poderão ser registados ventos sustentados máximos de 120 a 130 km/h no setor Leste do sistema, com rajadas até 150/160 km/h, que provavelmente serão superiores nas zonas elevadas.

A nível de precipitação, poderá, em larga escala, estar a revelar uma tendência de dispersão da depressão em relação ao centro. Se, já às 21h UTC, considerávamos o "olho" parcialmente desfeito, então agora, às 01h UTC, já nem olho encontramos, nem provavelmente voltaremos a encontrar.



Por fim, de referir a possibilidade de ondas de altura significativa muito elevada, podendo, em certas zonas do grupo central, nomeadamente ao largo da Terceira, atingir eventualmente uma altura máxima de 18 metros. Também em algumas zonas do grupo oriental, as ondas poderão alcançar altura máxima elevada.
Concluindo:
Tendo em conta modelos em larga escala, mas também tendo como fundamento a previsão especializada, é preciso continuar a acompanhar o evoluir da situação, especialmente a partir do fim da madrugada. Não descurar também o possível cavamento a partir da madrugada, o qual poderá intensificar o ciclone como um todo.
Especial cuidado às ilhas de São Jorge, devido à orografia peculiar; às ilhas da Terceira e São Miguel; a primeira, não só pelos maiores ventos esperados, mas também pelo facto de serem as ilhas mais habitadas.

ATUALIZAÇÃO 04H25: Pelas 3h30 começou a chuva um pouco mais intensa em Lagoa, Açores, mas ainda geralmente fraca a moderada (intensidade 5 de 0 a 10), acompanhada de rajadas. Agora sim, já se sente um pouco do agravamento tão falado.

IPMA já lançou a previsão para o dia de hoje:

Entretanto, parece desenvolver-se uma massa nebulosa de grande desenvolvimento vertical, com muita intensidade de precipitação convectiva pontual e acumulados horários interessantes, a S dos Açores. De reparar o núcleo quase sem atividade convectiva.



Situação esta que parece coincidir razoavelmente com o GFS das 00h, relativo ao período +3h:


Como projeção a ter em conta para o período 9h-12h:


Também o WRF das 12h aponta para precipitação com esta distribuição espacial aproximadamente, passando esta mancha em poucas horas.



Olhando, porém, para a imagem de satélite, percebe-se que provavelmente o GFS estará mais próximo da realidade.

Nota que a convecção intensa, que levará ao surgimento de células, conjugada com estabilidade  do ar e a muita água precipitável, poderá resultar em downbursts. Realmente, verifica-se, de forma clara, que as rajadas mais fortes ocorrem quando caiem os aguaceiros fracos a moderados; quando vierem os fortes, provavelmente as rajadas serão bem superiores.

Relembrar ainda que a ocorrência de trovoadas pontuais e passageiras não poderá ser de excluir, devido a:

-provável cavamento do furacão (potenciando a convergência), modelada pelo ECMWF e GFS e não contrariada pelo WRF:

-sua passagem por cima do arquipélago, com fortes movimentos verticais modelados pelo GFS e humidade relativa aos 700 hpa modelada pelo GFS e ECMWF:
 

ATUALIZAÇÃO 9h00:


Cai, neste momento, chuva moderada, tocada a vento, de tal modo que dá a sensação se ser forte. Céu totalmente nublado e vento forte com rajadas. De momento, coloco as expectativas de maiores rajadas para Terceira e São Miguel. Próximas horas serão decisivas, sobretudo para a Terceira, que ainda não regista rajadas nem vagas fora do comum, havendo até relato de que está "estranhamente calmo". Até agora, a maior parte da chuva ocorreu em São Jorge, potenciada pelo relevo: 78,2 mm em 6 horas, o que corresponde ao aviso vermelho colocado ontem.

Fonte: IPMA


Aqui se encontra um video da atual situação.



ATUALIZAÇÃO 10H48: Imagens do satélite EUMETSAT abaixo, relativas à air mass e convection. Neste momento, está a passar o pior da tempestade pelos Mosteiros, na ilha de São Miguel. É agora que a Terceira se torna a protagonista do evento. Às 10h40, o furacão situava-se a uma distância de 50 km desta ilha, estando a deslocar-se a 40 km/h.


ATUALIZAÇÃO 11H00: No IMAP é possível observar uma alteração da trajetória do furacão, que deverá então poupar um pouco mais a ilha Terceira, pois os ventos do setor Leste já não a devem atingir.

ATUALIZAÇÃO 11h22: Pressão atmosférica de 978 hpa em Santa Luzia, Angra, a qual se enquadra numa situação de furacão de categoria 1. No entanto, em Angra, cidade relativamente protegida do quadrante com que o vento sopra, registam-se apenas vento fraco a moderado/ fresco com rajadas, sem ou com pouca chuva (chuviscos ou chuva moderada, portanto), intercalando com períodos curtos de chuva forte tocada a vento. Praia da Vitória com fortes ventos e com ondulação forte. Chuva fraca soprada a vento em Lagoa, São Miguel, com acumulados muito significativos nas zonas montanhosas, devido a chuva forte que tem ocorrido temporariamente nas últimas horas. São Caetano, no Pico, com valores de precipitação elevados.

Fonte:http://en.sat24.com/en/zoom/AF/visual/58/129
ATUALIZAÇÃO 11H40: Análise dos valores atuais, fornecidos pelo IPMA. De referir uma interessante injeção de ar morno e húmido vindo de latitudes inferiores, trazido pelo fenómeno.


Ventos médios nas estações do IPMA às 10h locais ainda muito aquém do esperado:


ATUALIZAÇÃO 11h50: Pressão atmosférica em Santa Luzia, Angra: 974,8, contrastando com a Serreta, que regista 995,5 hpa. O vento acalmou em Angra, mas a chuva continua.

ATUALIZAÇÃO 12h27: Pressão atmosférica em 973,8 hpa em Santa Luzia, contrastando com 994,5 hpa na Serreta. Isto pelas 12h05 locais. Relatos de que o vento na Horta, Faial, é quase inexistente, e a chuva persistente desde as 6h da manhã. Vento em São Jorge e Terceira acalma quase totalmente e a chuva pára.

ATUALIZAÇÃO 12h37: Furacão já deverá começar a afastar-se do arquipélago. De momento, parece estar a adquirir algumas características extra-tropicais. O olho passou por volta do meio dia a 20 km da Terceira.


ATUALIZAÇÃO 12h53: Vento voltou a aumentar de intensidade, devido a uma formação convectiva associada ao ciclone e ao cavamento do mesmo, mas não tanto como antes da sua diminuição. Chuva parou em Angra. Às 12h55, a pressão atmosférica em Santa Luzia já era 975,5 hpa (as estações que foram mencionadas são amadoras).



É hora de receber as notícias que possam chegar dos diversos pontos e fazer análise de possíveis prejuizos. A melhoria deverá ser gradual ao longo da tarde.

Alex, logo após passar o arquipélago, é já uma tempestade tropical, com um núcleo de 886 hpa, tendo diminuído a intensidade dos ventos sustentados máximos para 70 mph = 110/115 km/h e rajadas de 85 mph = 135/150 km/h. O NHC considera não ter perdido ainda as suas características tropicais. Deverá, porém, fortalecer nas próximas horas, novamente, dirigindo-se para a Gronelândia.

A descrição dos possíveis danos que provocou nas ilhas centrais e orientais serão feitas aqui no blog logo que possível.

Aproveito para colocar aqui o comunicado elaborado pelo IPMA acerca da passagem do furacão Alex: 


A.S.BUSTER

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